Suicídio infantil: como prevenir?

João Carlos de Carvalho
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07/10/2014 às 18h00 - terça-feira

Para prevenirmos o suicídio infantil, façamos, primeiro, a seguinte reflexão:

Vamos imaginar a seguinte cena: uma criança triste e pensativa, sentada no parapeito da janela de uma casa, confabulando consigo mesma. Uma situação aparentemente inofensiva, que por si só expressaria a ideia de alguém pensando na próxima brincadeira do dia. Poderia passar despercebido que esse alguém, tão jovem, esteja, na verdade, enfrentando um grande desafio na vida, uma sensação profunda de solidão. A alteração do comportamento, seja pela falta de interesse ou agitação excessiva, agressividade, merece a atenção dos pais e responsáveis.

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Aquilo que seria apenas uma cena corriqueira é interrompida de forma trágica: aquela criança pode encontrar-se estressada e depressiva — um caos interior com sentimentos causados pela solidão, pelos conflitos em família, entre os colegas, na sala de aula — e comete o bárbaro ato do suicídio, tirando a própria vida, que apenas começava ali no plano material. Infelizmente, os suicídios na infância acontecem e não são poucos.

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Pesquisas revelam que o índice de suicídio na faixa etária entre 6 e 14 anos vem crescendo consideravelmente no mundo inteiro, e a causa mais frequente é a depressão infantil.

De acordo com a Oganização Mundial da Saúde, o suicídio é atualmente um problema de saúde pública, sendo uma das três principais causas de morte, entre pessoas de 15 a 44 anos, e a segunda entre as de 10 a 24 anos. A cada ano, aproximadamente 1 milhão de pessoas tira a própria vida, o que representa uma morte a cada 40 segundos. O Brasil tem cerca de 10 mil registros anuais (Fonte: Agência Brasil).

Portanto é preciso muita atenção para perceber os sinais da depressão, que não se trata apenas de uma tristeza eventual, mas de condição mais profunda, que leva tempo para ser vencida e que precisa ser identificada com rapidez para que se possa evitar a tragédia do suicídio. A depressão exige cuidados médicos e, com o apoio da religiosidade, ela pode ser superada.

Papel de todos nós

O quadro requer atençãocarinho, afeto e a presença por parte de pais, responsáveis, educadores e da sociedade de uma forma geral. Atenção, porque normalmente dão sinais do intento que estão prestes a cometer: desinteresse e apatia, maus resultados nos estudos, dificuldades nos relacionamentos com familiares e amigos, baixa autoestima, contínua introspecção, entre outros. Nem sempre os filhos, quando dizem ou sugerem algo, estão querendo simplesmente chamar a atenção, como por vezes se imagina. Portanto, devemos acolhê-los e orientá-los como guardiães seus que somos. Desta forma, o diálogo sincero, o brincar com a criança apresentam inúmeros benefícios. Além disso, nesses momentos o adulto pode identificar se algo não anda bem.

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Agir preventivamente sempre foi o caminho mais seguro e eficaz para solucionar qualquer desafio. Precisamos constantemente conversar com as crianças e os jovens, ajudando-os a compreender o sentido espiritual de suas existências, apresentando a nós mesmos como aqueles que sempre os apoiarão, auxiliando-os para que saibam lidar com as adversidades.

Escreve Paiva Netto, Presidente-Pregador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo,em seu artigo Ansiedade infantil"Em um mundo tantas vezes regido pelo imediatismo, onde exigências sociais nos impõem, a cada dia, crescente disputa por um lugar ao sol, o estresse encontra terreno fértil para proliferar. E não somente os adultos tornam-se vítimas deste que é considerado um dos males da modernidade. Também nossas crianças vivem situação semelhante... Elas têm a vida cada vez mais parecida com a nossa: repleta de compromissos e tarefas. Acabam não tendo o devido espaço para ser criança". 

E ainda, em seu artigo Homenagem aos paisele registra: "Que nossos filhos estejam bem-vestidos, alimentados, nutridos, medicados quanto se fizer preciso. Mas, acima de tudo, protegidos das más influências psíquicas e espirituais, que fatalmente resultam nos males físicos e sociais".

Para estabelecer essa proteção indispensável, de maneira que nossas crianças vivam felizes e seguras, precisamos ensiná-las a cuidar de sua Alma. Ensinar a orar, a contar com a presença de seu Anjo da Guarda. Ensinar a encontrar Paz mesmo durante as dificuldades, confiando em Jesus e entendendo as situações sob a Luz da Sua Divina mensagem. Demonstrar às crianças o perigo de trazer para dentro de nossa casa filmes, jogos, brincadeiras e atitudes que fortaleçam a violência e o medo. Precisamos, como bem conclui Paiva Netto, ensinar as crianças a se defenderem.

A vida continua

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Alziro Zarur (1914-1979), saudoso proclamador da Religião Divina, já afirmava que "o suicídio não resolve as angústias de ninguém". É importante que a nossa família saiba que ninguém deve tirar a própria vida, seja quem for, crianças, jovens, adultos e idosos, visto que este ato jamais trará solução alguma para os dramas vividos. Pelo contrário, acarretará problemas ainda maiores, pois somos seres imortais, como nos ensina a Religião do Terceiro Milênio, e a nossa trajetória prosseguirá do outro lado da existência, acrescida do pesado fardo de ter deixado a vestimenta material antes do tempo. Para isso, um longo e doloroso tempo será necessário ao refazimento da Alma em débito com a misericordiosa Lei da Vida, que Deus criou. No caso específico das crianças, elas precisam indubitavelmente do auxílio dos seus pais ou responsáveis, pois é dever deles perante o Cristo de Deus, Jesus, protegê-las e amá-las.

Aos que já voltaram ao Mundo Espiritual, vitimados pelo ato do suicídio, em qualquer circunstância, devemos dedicar as nossas preces e o pedido sincero ao Divino Amigo da Humanidade para que Ele os proteja, socorra e ampare, retomando suas vidas, rumo à evolução do seu Espírito eterno.

Portanto, o recado da Religião de Deus é o de resistir ao desespero e ensinar as nossas crianças a resistirem também, por pior que possa parecer a estrada pela qual estamos caminhando. Jesus está ao nosso lado e sempre nos inspirará com as melhores ideias, pensamentos e atitudes, pois foi Ele mesmo quem afiançou: "Vinde a mim todos vós que estás cansados e oprimidos e Eu vos darei descanso" (Evangelho do Divino Amigo segundo Mateus, 11: 28). Precisamos perseverar sempre e pedir o Seu auxílio. Pois, Ele sempre virá!

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