Orações

Prece de Voltaire

Autor: Voltaire

Não é mais aos homens que me dirijo ─ é a Ti, ó Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todas as épocas! Se for permitido a fracas criaturas perdidas na imensidade e imperceptíveis ao resto do Universo ousar suplicar-Te alguma coisa, a Ti que tudo deste, a Ti cujos decretos são imutáveis e eternos, digna-Te a olhar com piedade os erros ligados à nossa natureza. Que esses erros, não constituam calamidades.

Tu não nos deste coração para nos odiar nem mão para nos estrangular. Faze com que nos ajudemos mutuamente a carregar o fardo de uma vida penosa e passageira; que as insignificantes diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos corpos, entre nossas línguas insuficientes, entre todos nossos hábitos ridículos, entre todas nossas leis imperfeitas, entre todas as nossas condições tão desproporcionadas a nossos olhos e tão iguais diante de Ti; que esses pequenos matizes que distinguem os átomos chamados homens não sejam sinais de ódio e de perseguição.

Possam todos lembrar que são Irmãos! Se as desgraças das guerras são inevitáveis, não nos odiemos, não nos destruamos uns aos outros no seio da paz e empreguemos o instante de nossa existência a louvar igualmente em mil idiomas diversos, desde o Sião até a Califórnia, Tua Bondade que, Senhor, nos permitiu esse momento.

A oração gera uma força que os trêfegos jamais entenderão. (...) No seio da matéria viva, o Espírito passa quase despercebido e é, contudo, a força mais colossal deste mundo.

Alexis Carrel (1873-1944)

Cientista francês e Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina (1912)

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