Relacionamentos na era digital: vínculos virtuais ou eternos?

Thaís Afonso
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15/05/2014 às 20h20 - quinta-feira

Hoje, com as novas tecnologias da informação, temos visto surgir inúmeras possibilidades de relacionamento entre as pessoas. São aplicativos, redes sociais, chats, sites e-mails. Dispositivos que também podem por vezes causar ciúmes, afinal conectado pela internet, o melhor amigo de alguém pode viver a milhares de quilômetros de distância, muitas conversas podem parecer ocultas. As ferramentas de comunicação são muitas, mas elas representam maior proximidade, vínculo e confiança entre aqueles que usufruem de seus benefícios?

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Primeiramente, é preciso refletir que aquele que utiliza a tecnologia, independente do formato, é formado por átomos, não constituído por bits (menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida pela redes de computadores), ou seja, a pessoa com a qual nos comunicamos pelo universo digital é sempre real e não virtual, como muitas vezes se pode supor. O diálogo é estabelecido entre as partes por um suporte virtual, mas a conversa não é de mentira.


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E, depois, temos visto que as revoluções comunicativas (fala, escrita, imprensa, por exemplo) provocam mudanças nos hábitos de convívio social. O ditado popular diz que "quem tem boca vai a Roma". Sim, realmente. Mas, hoje, com a internet, a pessoa chega muito mais rápido e de forma mais econômica.


O meio/veículo de comunicação, seja ele jornal, rádio, celular ou mesmo o computador, promove a interação entre emissor e receptor (a pessoa que envia e a que recebe a mensagem), porém, a responsabilidade sobre o conteúdo é uma atribuição daquele que a emite. Não podemos "culpar" o avanço científico que nos proporcionou uma comunicação global instantânea por ele ser utilizado para difundir informações irrelevantes, superficiais ou falsas. Para nossa reflexão, este pensamento instigante do escritor Paiva Netto: "A tecnologia supera barreiras. A internet é um exemplo. Mas quando veremos a Solidariedade desenvolver-se à sua frente, de forma a iluminar os seus caminhos?" (no livro Paiva Netto — Crônicas e entrevistas, p. 206).


É preciso que tenhamos coragem para assumir o nosso papel diante do uso das ferramentas que nos são oferecidas, para promover o Bem, compartilhar boas práticas, renovar nossas esperanças em um mundo de Paz. Podemos recorrer às nossas potencialidades, para que possamos transformar nossos comportamentos para melhor. E, desta forma, fazer com que o progresso tecnológico seja também acompanhado de nosso desenvolvimento ético, moral e espiritual, em humanidade.

Arte: Atalison Gimenes

Perfeitos imperfeitos
Muitas vezes, na internet, podemos incorrer na tentação de criar um "personagem", um "eu aprimorado", "perfeito", que reflita justamente os padrões do que "deveríamos" ser, com as características padrões que deveríamos ter para nos representar no ambiente digital. A "segurança" do anonimato na web favorece a ilusão. Devemos tomar muito cuidado com isso, pois a chance de magoarmos alguém ou a nós mesmos é grande.

Paiva Netto, aos 18 anos, escreveu uma página intitulada Razão e Fascínio, que fez constar nas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo vol. II, na p. 21, e a trazemos para a conclusão desse texto: "Resumindo: o primeiro, o de Vontade Boa, guia-se pela razão iluminada por Deus; o segundo, o de vontade negligente e que não conheceu a verdadeira iniciação espiritual, deixa-se dominar por fascínio. É um triste escravo do medo".

Ou seja, se não quisermos cometer "erros que nos levem a frustrações"¹, precisamos ter coragem de conduzir nossas atitudes com acerto e verdade. Tratar nosso semelhante com a mesma sinceridade com que almejamos ser correspondidos. A transição dos relacionamentos virtuais para o universo, que muitas vezes denominamos "real", será o que fizermos dele. Se construído pelo diálogo, respeito mútuo e amor ao próximo, resulta em motivo de realização e felicidade. Do contrário, gera mágoas e sofrimentos. Mas, em ambos os casos, os vínculos são para a eternidade, uma vez que somos espíritos eternos² e nossas ações nos acompanham para além do fenômeno chamado morte, pois a vida prossegue além dela, conforme nos ensina a Religião do Terceiro Milênio.


Rogério Paiva
MILITÂNCIA NO BEM


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¹ Pensamento do escritor Paiva Netto: "Os jovens são a esperança. Significam todo o dinamismo e a renovação de que o mundo precisa. Sem gente moça, não há futuro. É preciso, contudo, que se lhe deem opções em Deus. Caso contrário, poderão buscá-las nos erros, que levam às frustrações. Daí o nosso pensamento: O jovem é o futuro, sim, mas não o futuro longínquo, ‘quanto mais distante, melhor’, como desejariam alguns equivocados. Fraternalmente, a LBV sugere: ‘O jovem é o futuro no presente’."
² Leia O equilíbrio como objetivo, artigo do escritor Paiva Netto.

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