“O medo não é um bom professor”

Rafael Ramalho
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27/09/2011 às 20h15 - terça-feira

“Se você não fizer isso, o bicho papão vai te pegar!”. Você se recorda de ter ouvido afirmação semelhante em sua infância? Hoje em dia, quase já não se escuta ou se fala dessa forma, mas até há algum tempo ela era muito comum entre os pais, que tentavam disciplinar seus filhos pelo medo. Mas será que os métodos de convencimento que se fundamentam na ameaça, na agressão e na ansiedade funcionam? Eles realmente contribuem para a formação dos filhos? E, mesmo que tenham resultados, as consequências negativas (como o ressentimento, a dor, a incompreensão) valem a pena ou podem causar um efeito contrário à educação?

O educador Paiva Netto, em seu livro Apocalipse Sem Medo, responde a questão: “o medo não é bom professor para ensinar coisa alguma”. O diálogo firmado na confiança e no respeito mútuo é chave para fazer surgir a disciplina e a harmonia na convivência entre pais e filhos.


O que estamos propondo não é falta de energia para a educação da criança que, como qualquer Ser Humano, precisa de disciplina e limite — que, inclusive, quando não estão claros, fazem com que a criança às vezes venha a testar o adulto até que ele, por sua vez, os apresente.

 

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Aqui também não se alude ao zelo com que os pais cuidam dos seus filhos: “não corra, você vai cair”, “não pula daí de cima”. A criança, em seu desenvolvimento, já tem alguns comportamentos que revelam prudência, que são naturais e importantes para preservação de seu próprio bem-estar. E são importantes porque de certa forma servem para impedir que os pequenos se firam ou entrem em situações de risco para a sua própria saúde. Entretanto, quanto mais jovem a pessoa, menos conhecimento tem sobre quais são os perigos reais de cada situação, daí a necessidade da atenção e do preparo dos familiares para apoiá-la nessas circunstâncias.

Não há razões para temer


É preciso trabalhar sempre as situações reais que implicam no medo. Para ilustrar, um exemplo: não comer é um problema, não por causa do bicho papão ou do lobisomem, mas porque a criança não vai ter energia suficiente para brincar, para estudar e se desenvolver. Ao esclarecer dessa forma, as crianças terão assim a compreensão dos motivos que levaram à decisão dos seus responsáveis. É preciso explicar as consequências, pois, se bem colocadas com exemplos concretos e próximos ao cotidiano e linguagem acessível, ela irá apreender a lição. A Pedagogia do Afeto*¹, preconizada pelo educador Paiva Netto, acredita que a conversa franca e constante com a criança, bem como o diálogo sincero, ajude a criança a perceber melhor a situação que está vivenciando.


O educador (pai, responsável ou professor) precisa contribuir para que a infância seja tranquila e não potencializada pelo temor, visto que isso pode acarretar em consequências negativas no futuro das crianças, tais como as dificuldades em tomar decisões e a rejeição ao desconhecido. Alguns pesquisadores afirmam que o ato de bater pode reforçar para meninos e meninas a crença de que o mais forte fisicamente sempre domina o mais fraco; leva à repetição de gestos de agressão e a uma compreensão de que apenas com violência é possível se fazer entender e atender. Por isso, é tão importante educar a criança para viver com responsabilidade e bom senso em todas as circunstâncias da vida.

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No livro É Urgente Reeducar!, Paiva Netto afirma: “Nada mais pedagógico do que o Amor Fraterno, conquanto enérgico e justo. Naturalmente, o Amor não pode ser confundido com conivência no erro, pois existem aqueles que consideram que amar é concordar com tudo, não importando que esteja errado. Amar é justamente o contrário, mas sabendo-se com generosidade, corrigir a pessoa em seu equívoco, mesmo que com ponderado rigor”.


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* Rafael Ramalho, Jovem Militante da Boa Vontade de Deus de São Paulo, SP.
*¹ Na Pedagogia do Afeto, o enfoque é sobre as crianças de até 10 anos de idade, unindo sentimento ao desenvolvimento cognitivo dos pequeninos, de forma que carinho e afeto permeiem todo o conhecimento e os ambientes de suas vidas, incluído o escolar.

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