Corpo perfeito, cirurgia plástica e Espírito Eterno

Suelí Periotto
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23/05/2014 às 20h18 - sexta-feira

O imediatismo (somado aos modismos) tem gerado estímulos sociais que alteram a percepção que temos sobre nossas necessidades reais, fortalecendo desejos supérfluos de crianças, adolescentes e mesmo adultos. Tem se tornado comum os próprios pais avaliarem seus filhos, chegando à conclusão de que há algo de errado com suas orelhas, nariz ou marcas de nascença, mesmo que os filhos nunca tenham reclamado, ou até mesmo percebido alguma coisa de diferente em sua aparência.

Por incrível que pareça, nós, adultos, podemos despertar a atenção sobre algo que, pelo nosso ponto de vista, impede nossos filhos de terem o corpo perfeito, ditado por padrões estéticos da moda atual. Muitas vezes, os pais (e não apenas os filhos) são levados pelo apelo da mídia, tornando-se alvos fáceis no consumo de produtos, cirurgias e diversificados serviços, que não são necessários e muito menos indispensáveis para o bem-estar das crianças e jovens.
Há, ainda, uma outra situação, sobre a qual precisamos refletir: na ânsia de agradar nossos filhos, especialmente na data especial de seus aniversários, perguntamos o que eles gostariam de ganhar. Um número crescente de pais tem recebido a resposta: "O que eu mais quero ganhar é uma cirurgia plástica".


Pesquisas apontam que a data que marca os 15 anos das meninas (e dos meninos, em quantidade inferior, mas que não pode ser ignorada) é a que mais traz o pedido de cirurgia plástica como um presentão, substituindo festas ou viagens, com as quais era comum comemorarem-se os aniversários.


Além de considerar o perigo da cirurgia plástica em corpos que ainda não estão totalmente desenvolvidos, é importante refletirmos sobre até que ponto atender um pedido como este (ou sugerir tais cirurgias a crianças e jovens) pode trazer implicações negativas - além das físicas – a nossos filhos. Podemos considerar que, devido ao seu processo de amadurecimento ainda em construção, um jovem possa sentir empolgação inicial por uma promessa que lhe seja vendida, de incríveis benefícios de mudanças em seu aspecto físico.

Daí caber aos pais (ou a quem a cirurgia tenha sido solicitada como presente) a ação de conduzir tal pedido de maneira coerente, colocando francamente para si mesmos a questão: estamos falando de uma cirurgia necessária, ou seja, corretiva? Não somos nós, adultos, que estamos incentivando tais cirurgias, por querermos filhos "sem defeitos"? A criança ou o jovem devem correr riscos para melhorar seu aspecto físico apenas para serem aceitos pelos critérios inconstantes e, em alguns casos, irreais, de parte de uma sociedade consumista e sujeita a tantos modismos?
É nosso dever (como responsáveis diante de Deus em conduzi-los na encarnação presente¹) dar-lhes ânimo e estímulo na aceitação de sua aparência, principalmente na infância e adolescência, quando estão mais fortemente à mercê das opiniões e críticas dos que os cercam.

E nós mesmos precisamos aceitar cada detalhe dos traços físicos de nossos filhos, analisando com rigor as necessidades reais (e muitas vezes elas existem) de correções estéticas que farão diferença na autoestima e na saúde deles, facilitando o enfrentamento de problemas reais, ou se estamos projetando sobre eles a ideia de um filho com um corpo físico "perfeito" (segundo os padrões contemporâneos, volúveis e cruéis, na medida em que se mostram inacessíveis para a maioria das pessoas e que ignoram a beleza da diversidade inerente aos seres humanos).


O corpo foi planejado pelo Espírito

É importante lembrarmos que, antes de reencarnar, acontece o processo da escolha do protótipo de nossos corpos, combinando a genética de nossos pais biológicos com as solicitações pessoais do Espírito reencarnante, mediante a necessidade da missão que ele desenvolverá durante sua nova existência. A genética, fazendo com que uns sejam mais altos, outros tenham estatura mais baixa, trazendo tons de cabelos/olhos e traços dos familiares, mapeia os detalhes físicos que são sempre combinados e firmados numa agenda espiritual, assumida pelo próprio Espírito que nasceu em nossa casa, sob nossa responsabilidade. Por isso, precisamos apoiar nossos filhos, reforçando que a beleza que importa e o brilho maior que podemos expressar vêm de nossa aparência interior.


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Neste sentido, Paiva Netto esclarece que: "É desastroso deixar-se levar pela onda do momento, porque Você, passada a moda, às vezes demorada, padecerá das dores da frustração que é ter negado a sua própria natureza de criatura de Deus". E, mais adiante, prossegue: "Por isso, não podemos agir de forma ingênua ou irresponsável, que qualquer dia poderá cair sobre nossas cabeças, muitas vezes sem que até o mais amigo perceba. A isso também se dá o nome de remorso"².


O Irmão Paiva Netto, criador da linha pedagógica aplicada nas Instituições da Boa Vontade (formada pela Pedagogia do Afeto e pela Pedagogia do Cidadão Ecumênico) nos admoesta acerca de não nos esquecermos de que somos Espíritos eternos, recomendando-nos, assim, a recorrer sempre ao Evangelho do Educador Celeste, que apresenta infinita fonte de sabedoria para nos apoiar em quaisquer situações que desafiem nossa capacidade de poder decisório. Daí a importância de buscarmos Nele a intuição que nos ilumine em nossas ações e nas do que estão sob nossa responsabilidade. Firmemo-nos na palavra do Mestre Jesus, que asseverou: "Conhecereis a Verdade (de Deus) e a Verdade (de Deus) vos libertará"³ (Evangelho de Jesus segundo João, 8:32). Somente assim poderemos dar a condução ideal às nossas existências, amparando e orientando aqueles que convivem sob nossa responsabilidade.


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Jesus escolheu você. Atenda, na Religião Divina, o divino chamado do Mestre. Você e seus familiares, dirijam-se à Igreja Ecumênica da Religião do Terceiro Milênio mais próxima de você. Para mais informações, ligue: 0300 10 07 940 (custo de uma ligação local mais impostos).


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* Mestre em Educação pela PUC-SP, Suelí Periotto é supervisora da Pedagogia da Boa Vontade, criada pelo educador Paiva Netto (formada pela Pedagogia do Afeto e Pedagogia do Cidadão Ecumênico) e diretora do Instituto de Educação da LBV (São Paulo/SP).

¹ Afirma Paiva Netto: "Eis que, antes de sermos filhos de nossos pais, o somos de Deus, que zela por Suas criaturas, estando elas na Terra ou no Céu. O Espírito preexiste à carne" (publicado na revista Jesus está Chegando!, edição 103, p. 13).

² Registrado no ensaio literário Evangelho do Sexo, p. 29.

³ Maneira sempre utilizada pelo saudoso proclamador da Religião do Amor Universal, Alziro Zarur (1914-1979), como forma de frisar a natureza superior da Verdade que liberta.

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