“Os mortos não morrem” — Como vencer o medo do “fim”, da distância e da ausência?

Paula Sueli
|
16/04/2014 às 14h45 - quarta-feira

Muitos dos enganos do nosso caminho têm a ver com o equívoco de imaginar que a morte acabe com tudo. Descreveu Fernando Pessoa (1888-1935), talentoso escritor e poeta português: "A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser visto". Neste texto, a gente percebe uma realidade que até antes da Ressureição de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, ninguém podia provar. A gente podia até intuir, os poetas podiam cantar a esse respeito, os profetas podiam jurar: “é verdade, a morte não existe!”, mas ninguém podia provar. Até que apareceu o Divino Mestre e, depois Dele, a morte mudou de sentido. A morte não é o fim de nossas vidas, continuamos existindo no Mundo da Verdade, conforme afirma o presidente-pregador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, José de Paiva Netto: “A morte não interrompe a vida, portanto o aprendizado não tem fim. Na Terra ou no Céu da Terra, prosseguimos trilhando o caminho da eternidade”.

Arquivo

No Evangelho do Educador Celeste segundo João, 14: de 1 a 6, encontramos a passagem: “Jesus conforta aos discípulos”. É mais uma narrativa na qual percebemos o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, sensível aos dramas do nosso coração. Logo em seguida a esta passagem, Jesus seria preso, crucificado, mas também ressuscitaria. Alguém com muita fé, de repente poderia pensar: “Ah, mas o Cristo está dizendo isto simbolicamente” ou ainda “o que Ele quer dizer é que a Sua mensagem ressuscitará”. Contudo, Jesus estava dizendo literalmente “A minha Alma, o meu Espírito, aquilo que Eu sou, não morrerá!”.  Isto estava profetizado, mas o Celeste Amigo sabia que não seria fácil, que aquela crucificação custaria talvez toda a esperança dos seus discípulos, perturbaria o coração deles, como a morte material de alguém que nós amamos, também perturba o nosso coração, abala o nosso sentimento, dói na nossa Alma. É mais que saudade, é o infinito da dor, mas não para sempre! É isso que o Cristo está nos dizendo com os ensinamentos que nos traz nesta passagem.

Vencendo o medo do fim

Arquivo BV

Por que o nosso coração se perturba? Por que que a morte nos causa tanta angústia? O primeiro motivo é o medo do fim. A gente tem medo que a pessoa que a gente ame (até nós mesmos) um dia simplesmente acabe. Esse é o primeiro medo. A partir disso, vem Jesus e nos diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito: vou preparar-vos lugar. E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também” (Evangelho segundo João, 5:17 e 14:1, 2 e 3, respectivamente).

 

Qual o sentido de preparar lugar para a gente se não houvesse ninguém para ir até esse lugar? Não há fim! Não neste sentido absoluto, cruel, que massacra o nosso sentimento. O espírito vive, assim como o Espírito do Cristo que se lançou além da cruz e venceu a morte. Então Jesus, nos ensina que não há motivos para o medo do fim: “Na casa de meu pai há muitas moradas”, ou seja, há muitos lugares para vivermos além da Terra e muitos outros lugares para habitarmos além desse corpo material, há muitas dimensões para a vida do espírito. É muito importante saber disso! Onde há ignorância, o medo prevalece. Quando há esclarecimento, a gente destrói o medo.

Superando a ausência

Há também o receio da ausência. Porque, às vezes, nós já aprendemos que a morte não é o fim, mas a gente ainda tem medo de que a pessoa que amamos simplesmente não esteja mais lá. Então, o que o Cristo nos ensina no versículo 3º, deste capítulo 14, é que: “E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também”. Onde está Jesus? Há algum lugar neste mundo em que o Cristo não possa estar? Não! Isso significa que Ele nos acolhe constantemente e Ele pode, pela Sua capacidade e autoridade espiritual, aproximar de nós as pessoas que nós amamos, porque Ele as recebe, fortalece e prepara para continuarem vivendo no mundo espiritual.

Diante disso, percebemos que é o Cristo, é Jesus, quem nos recebe e nos encaminha em nossa trajetória de evolução espiritual. Em Jesus não há ausência, não há lugar vazio, há encontro e aprendizado entre todos nós. E isso é muito importante, porque às vezes a gente despreza o nosso próprio sentimento, não reconhecemos a presença amiga daqueles que estão no Mundo da Verdade; eles muitas vezes nos abraçam, nos acompanham e buscam nos auxiliar no caminho do Bem.

Ore pelos seus entes queridos que se encontram no Mundo da Verdade

 

Conviver com a “distância”

Shutterstock

Com todas essas explanações, entendemos que não há fim e que não há ausência. Porém, ainda há o medo da distância, que de vez em quando insiste. Pensar que os espíritos daqueles que nos antecederam no Mundo Espiritual estejam longe de nós é um engano. Jesus nos esclarece que espiritualmente não há distância. O Cristo, maior Espírito deste planeta, conforme vemos em Seu Evangelho segundo João, 1: de 1 a 3: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez: Cristo Jesus”. Ou seja, no princípio de todas as coisas Esse Espírito, o Maior de todos, estava presente.

Agora, pensemos a respeito da distância espiritual concreta que existe entre nós e o Cristo. Contudo, se Ele nos diz que onde Ele está nós estaremos também, Ele não está mentindo. Sendo assim, poderá existir distância entre nós que somos ainda tão parecidos uns com os outros, inclusive do ponto de vista da evolução espiritual? Não há. Jesus está nos dizendo que quando entramos na Sua frequência, buscamos o Seu Caminho, a Verdade que Ele nos oferece e o sentido de vida que Ele nos concede, nós não devemos temer a distância. Para o espírito ela não existe.

Nós todos, seres reencarnados, utilizamos um corpo de carne, mas nós não somos apenas matéria. Nós somos seres eternos, seres espirituais e não perdemos a capacidade espiritual de nos comunicar com os entes espirituais, com nossos Anjos da Guarda, com as Almas Benditas, os Espíritos Luminosos, só porque estamos ocupando um corpo de matéria. Quando nós pensamos, oramos com sinceridade, a prece não demora para chegar até aqueles que amamos, ela é instantânea, imediata. Orar é imediatamente estar unido àqueles que amamos. Aqui na Terra, de vez em quando, a gente não consegue encontrar as pessoas: liga, ela não atende; manda e-mail, ela não responde; cai o sinal quando estamos tentando nos comunicar. A oração  é um recurso tecnológico divino infalível e imediato que devemos recorrer para nos aproximarmos pela força da solidariedade divina, daqueles a quem amamos.

 

Ouça a Música Legionária "Humanidade de Cima"

 

Confiança: a lição que o Cristo nos apresenta

Jesus, portanto, está nos ensinando a confiar, a perceber o que existe espiritualmente para além deste corpo material. Ele nos mostra que não há motivo para temermos distâncias, ausências e muito menos o fim. Ele nos diz isso como quem venceu, conforme vemos no versículo 1º do capítulo 14, do Evangelho segundo João: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”. Quem é o Cristo? Aquele não apenas teorizou sobre a Vida Eterna, nos explicou sobre as coisas espirituais “Deus é Deus de vivos, não de mortos. Por não acreditardes nisto, errais muito”. (Marcos, 12:27). E mais, Jesus foi além, atestou com a força do Seu exemplo, que a morte não é o fim de nada.

A ressurreição do Cristo não foi para Ele, foi para nós. Afinal, Ele já estava vivo, Ele não precisava provar isso a ninguém, mas a decisão de ressuscitar, de atestar a Vida eterna, foi para que nós nunca mais temêssemos a morte, para que nós nunca mais nos enganássemos, para que nós nunca mais acreditássemos na mentira da ausência, da distância, do fim, pois nada disso existe quando acreditamos na realidade da vida que prossegue além túmulo.

Então, como lidar com a morte?

Diante disso, como nós devemos agir, como devemos lidar com a “morte”, então? Trazemos um ensinamento que é muito claro

Arquivo

 e prático, que está registrado no artigo  A morte não é o fim, de autoria do presidente-pregador da Religião do Terceiro Milênio, Irmão Paiva Netto, que nos diz assim: “Fui buscar no primeiro volume da coleção, de minha autoria, Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, o seguinte trecho, por bem apropriado: Dois de Novembro é o chamado dia dos mortos. Certa feita, um repórter perguntou-me se costumava orar por eles. Respondi-lhe: Naturalmente. Sentimos saudade daqueles que nos antecederam no caminho da grande Pátria Espiritual, o Mundo da Verdade. Lembremo-nos dos parentes e amigos com muito carinho. Compreende-se a saudade, mas não convém alimentar tristeza, porque isso perturba o Espírito da pessoa amada. Eles estão mais vivos do que nunca. Nada morre. Basta ver que o cadáver, que vestiu o Espírito, também se transforma em vida. A morte é um boato. O saudoso jornalista, radialista, poeta e escritor Alziro Zarur ensinava que ‘não há morte em nenhum ponto do Universo’. Deus não é morte. É Vida. E Vida Eterna. O próprio Jesus revelou aos Seus discípulos que o Pai Celestial universalmente governa seres imortais. E arrematou: ‘Por não acreditardes nesta realidade, viveis equivocadamente’. Aqueles que amamos não morrem jamais, mesmo já se encontrando no Mundo Espiritual. Muitos permanecem ao nosso lado, ajudando-nos; outros podem estar precisando de nossas preces. Oremos por eles, para que, quando chegue a nossa vez, alguém ore por nós, e agradeçamos a Deus por ser Deus de vivos. Os mortos não morrem”. É um extraordinário ensinamento. Nós podemos observar que o Irmão Paiva se fundamenta em Jesus para nos trazer todas essas coisas, para nos ensinar a respeito da eternidade da vida.

Vivian R. Ferreira
Na Espiral, peregrinos elevam suas súplicas ao coração de Deus por meio da Prece. Com Fé Realizante, revitalizam suas forças e renovam as energias do Espírito para superar os desafios da vida.

Jesus nos ensinou que Ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (João, 14:6). É natural sentir saudade de quem está no mundo espiritual, é justo se emocionar pensando nessas pessoas, mas o que é prejudicial é quando nós nos desesperamos. Vou dar um exemplo muito simples: Lembra quando a gente era criança e ia passar as férias na casa da avó? Nossa mãe, quando falava conosco ao telefone, não embargava a voz, não chorava de saudade, mantinha-se firme pois sabia que nós iríamos querer voltar se víssemos um sinal de hesitação, de sofrimento em sua voz. E ela, por amor, “segurava a onda”, se dedicava um pouco mais, e não deixava que a dor fosse a lembrança que existe entre nós naquele momento. O mesmo ocorre com a gente e aqueles que passaram para o Mundo da Verdade: devemos nos esforçar para que a lembrança que exista seja sempre a do Amor, este foi o caminho que Jesus percorreu.

 

A Verdade é o conhecimento que o Divino Mestre nos ofereceu, se Ele nos ofereceu este conhecimento não podemos descartar essa riqueza, não é justo, devemos levar em consideração, pois ele é exatamente para confortar a nossa Alma também na hora do sofrimento. Jesus nos entregou um modelo de Vida, de realização de Alma, de alguém que não se ilude achando que tudo serão flores, que todas as coisas serão fáceis, não é verdade; mas alguém que sabe que todas as vitórias vêm para aqueles que perseveram e procuram viver como espíritos eternos que são, pessoas que pensam nas consequências dos seus atos, e pela memória dos seus entes queridos procuram honrá-los com suas boas ações aqui na Terra e não desprezar os bons exemplos que essas pessoas nos deram. Nós, portanto, devemos buscar viver esse Caminho, Verdade e Vida!

Arte: Atalison Gimenes

Precisamos buscar ser dignos de Jesus e assim prestar as nossas homenagens àqueles que desencarnaram, vivendo aqui na Terra como as pessoas que amamos já vivem no Céu, como seres eternos que nós somos. Isso significa nos lembrarmos um pouco deles sempre; a gente não vai esquecer essas pessoas, e nos lembrarmos de Jesus para que Ele nos socorra com suas ações exemplares, com Seus ensinamentos eternos e com essa postura de vida que nos faz tão fortes e tão corajosos como somente Ele soube ser, e nos deu o legado do Seu exemplo para que jamais nos sentíssemos sozinhos. Sejamos gratos ao Cristo que nos revelou o Pai Celestial que é Deus de Vivos.

 

Uma Prece aos que amamos

Salve a eternidade da vida em toda parte, que os nossos entes queridos, recebam o nosso respeito e o nosso amor, por meio de nossas preces.

Estamos aqui para afirmar esta realidade. Nada morreu. O amor que nos une não morreu. O espírito que amamos não morreu. A nossa família está viva e a amizade que nos une como filhos de Deus viverá eternamente. Vamos falar com nosso Pai Celestial e agradecer a Ele por ser Deus de Vivos.

Vamos falar com Deus!

 

 

Avalie este conteúdo