Compreenda por que a eutanásia não é o fim para a dor

Thaís Afonso
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13/08/2014 às 14h13 - quarta-feira
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A Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo traz a todos nós o conhecimento espiritual para que saibamos tomar as melhores decisões pela proteção da nossa vida e a daqueles que estão sob nosso cuidado, como nossos familiares e amigos. Ao desenvolver constantemente esta consciência, a da eternidade da Vida, estaremos aptos a tomar decisões mais acertadas, sem que venhamos a nos arrepender num futuro próximo por atitudes precipitadas. Nessa perspectiva, compreendemos a importância de conhecer a amplitude do impacto de nossas ações (na Terra e no Céu) para fazer escolhas certeiras para o nosso Espírito com consciência, autonomia e liberdade.

Essa premissa ganha ainda mais força quando tratamos da escolha pela Vida, diante dos desafios para o amparo a pacientes em estágios terminais (na denominação da medicina). Não é fácil ver quem amamos sofrer. Ainda mais se a pessoa estiver passando pelo estágio terminal de uma doença ou padecendo de uma dor física constante e extrema. O sentimento de impotência pode circunstancialmente minar a nossa Alma e nos levar a tomar decisões precipitadas, afinal, ver a pessoa que torna a nossa vida mais feliz passando por um momento de dor, de incerteza, sem que a medicina material possa imediatamente alterar o seu estado, sem oferecer novas opções de tratamento que lhe possam suprir as necessidades, pode trazer muita angústia ao nosso coração.

Em situações como essa, buscamos fazer o que está ao nosso alcance para minimizar, um pouco que seja, a aflição de quem é tão querido para nós. É preciso, porém, ter muita cautela para não acabar, mesmo sem querer, aumentando o sofrimento de quem amamos.

Muitas vezes, em situações como as descritas anteriormente, a eutanásia vem sendo apresentada como uma alternativa para acabar com o sofrimento. Mas não é. Constitui um grande engano pensar dessa maneira. Ela não é solução aos desafios, pois não cessa o sofrimento de quem quer que seja, independente da circunstância que enfrenta na vida.

A eutanásia não é o fim das aflições (sejam físicas ou emocionais), pois a morte não acaba com tudo, pelo contrário, é o início de uma nova etapa da mesma existência. O corpo material passa pelo processo de transformação natural, alimentando outras formas de vida, e, no Mundo da Verdade, a Alma desperta para prosseguir em sua trajetória espiritual, levando consigo as consequências dos atos praticados na matéria. A esse respeito, no artigo “Não há morte em nenhum ponto do Universo”, publicado em centenas de jornais, revistas e sites, no Brasil e exterior, esclarece-nos o presidente-pregador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, José de Paiva Netto: “A morte não interrompe a vida, portanto o aprendizado não tem fim. Na Terra ou no céu da Terra, prosseguimos trilhando o caminho da Eternidade”.  Por isso, não há motivos para ter ressentimentos ou temor quanto à morte. O conhecimento da continuidade da vida reforça em nós, contudo, o compromisso de responsabilidade, para bem cuidarmos deste corpo precioso que nos foi concedido por Deus, a Quem prestaremos contas daquilo que fizermos a ele.

Mas por que, então, Deus permite a dor?
Antes de respondermos diretamente a esta questão, precisamos recordar que o sofrimento não é o nosso único caminho de aprendizado. Ao contrário do que por vezes possamos imaginar, o Pai Celestial não fica aleatoriamente testando o nosso nível de resistência às aflições, mas a todo instante nos oferece Seu amparo e proteção divinal, acreditando na transformação de nossos hábitos, fortalecendo-nos para os embates da vida. Jesus nos dá essa segurança ao registrar em Seu Evangelho: “Eu não vos deixarei órfãos e estarei convosco, todos os dias, até ao fim do mundo” (João, 14:18 e Mateus, 28:20).

Arte: Atalison Gimenes

É válido considerar que, muitas vezes, esquecemo-nos que somos nós, com as nossas escolhas e atos (nesta e em outras existências), que construímos os nossos destinos, impingindo a ele as dores e as alegrias decorrentes. O Irmão Paiva nos apresenta essa perspectiva ampla ao afirmar: “Deus permite a dor, não para a nossa ruína, porém como remédio eficaz para os males que nós próprios, muitas vezes, construímos. Ela existe para nos devolver o equilíbrio de Alma, como a febre é a reação do organismo à invasão da doença”.

Se nos permitirmos perceber os aspectos pedagógicos da dor, iremos notar a misericórdia celeste atuando pelo nosso progresso: por intermédio dela, tornamo-nos capazes de nos corrigirmos, recebemos a oportunidade de repararmos faltas do passado (que, porventura, tenhamos cometido) e, em muitos casos, é por ela que somos levados a desenvolver um profundo senso de humanidade e empatia, pois muitas vezes nessas situações nos tornamos mais sensíveis à dor do nosso próximo.

Morrer com dignidade
Outra preocupação que pode vir a acometer quem enfrenta uma situação como esta é a de garantir que aqueles a quem amamos tenham um desencarne digno. Nesse sentido, a Religião do Terceiro Milênio esclarece-nos que não há maior glória do que a consciência de ter lutado infatigavelmente pela vida, com todos os recursos que lhe foram concedidos, realizando na Terra sua Agenda Espiritual¹, cumprindo o tempo que nos foi concedido por Deus para aqui permanecermos, com a duração ideal para cumprirmos nossa missão; um tempo que pedimos ao Criador e para o qual nos preparamos antes mesmo de aqui nascer, quando ainda vivíamos no mundo espiritual.

Antecipar este momento de retorno ao Mundo da Verdade, por escolha própria, é impingir ao Espírito grande sofrimento, pois do ponto de vista espiritual essa atitude constitui forma de suicídio. Nas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, vol. III, p. 48, o presidente-pregador da Religião do Amor Universal nos ensina: “A vida é eterna. Por isso praticar o suicídio é a extrema loucura, pois quem se mata vai descobrir-se, na outra Vida, mais vivo do que nunca, a sofrer as terríveis consequências do seu ato de tremenda rebeldia contra a Sábia Lei Divina, que nos governa e governa o Universo”. Visto que somos seres imortais, a nossa trajetória prosseguirá do Outro Lado da existência, após o ato trágico do suicídio, acrescida do pesado fardo de haver deixado a vestimenta material antes do tempo. Para reparar tal dano, um longo e doloroso período será necessário para o refazimento da Alma em débito com a misericordiosa Lei da Vida, por Deus criada.

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O que dignifica a sagrada criatura humana são seus atos de amor. Defender a vida é o maior gesto de humanidade que podemos ofertar aos que amamos. Por isso, devemos demonstrar a eles que jamais serão abandonados, mesmo nos momentos de maior dificuldade. Outra celeste providência é permanecer constantemente em prece para que a Proteção Divina nos acompanhe em nossas lutas. Sob essa inspiração, certamente estaremos sensíveis para perceber as histórias extraordinárias de superação que estão à nossa volta, recordando-nos a todo instante que devemos resistir ao desespero, como nos convoca o Irmão Paiva², pois sempre há Esperança e soluções seguras que valorizem e respeitem a vida e as Leis de Deus, para todo e qualquer desafio que estejamos enfrentando.

 

Todos nós, em Humanidade, merecemos respeito, proteção, Amor. Sobretudo os mais frágeis, aqueles cuja vida foi confiada a outras mãos, neste caso, as nossas próprias. É nosso papel defender a vida, desde a sua concepção até o momento do retorno natural e na hora certa, ao Mundo Espiritual. Proceder de maneira diferente é agir com violência, desrespeitando os direitos de nossos semelhantes e fazendo-os sofrer. E isso não será jamais a nossa vontade.

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1 Ensina a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo que ninguém nasce na Terra sem um propósito de existência. O próprio Educador Celeste nos deu Seu exemplo: “Desci do Céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade Daquele que me enviou” (Evangelho, segundo João, 6:38).  Portanto, cada um de nós, antes de reencarnamos na Terra assumimos no mundo espiritual — nossa pátria de origem, já que “estamos corpo, mas somos espírito” — um conjunto de compromissos, denominada Agenda Espiritual.

2 “Resista ao desespero!”, texto publicado por Paiva Netto, no primeiro volume de Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, p. 175.

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