Os 67 anos do programa Hora da Boa Vontade, o embrião da LBV

Da Redação
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04/03/2016 às 08h55 - sexta-feira
Divulgação

O microfone é uma das relíquias conservadas pelo dirigente da LBV, José de Paiva Netto, que se encontram em exposição no Memorial Alziro Zarur, no Templo da Boa Vontade, em Brasília/DF.

Dando corpo à sagrada missão e à vocação da Legião da Boa Vontade para comunicar-se com as massas, o saudoso fundador da Instituição, jornalista, radialista e poeta Alziro Zarur (1914-1979) iniciou, em 4 de março de 1949, o programa Hora da Boa Vontade, na Rádio Globo, do Rio de Janeiro, com a pregação do Apocalipse de Jesus. Inovador, consolidou-se como primeiro programa do gênero no Brasil, conquistando grande audiência, e com objetivo de atender as Almas sofredoras e de toda a sorte de desamparados materiais e espirituais.

Sua estreia ocorreu sob o lema: Por um Brasil melhor e uma Humanidade mais feliz, brado que continua a nortear as ações de Solidariedade da Instituição. Hora da Boa Vontade ficou também conhecido por ser o prenúncio da LBV, que seria fundada pouco tempo depois, em 1º de janeiro de 1950 (Dia da Confraternização Universal). 

Os ouvintes do programa admiravam-se ao ouvir músicas natalinas em pleno meio do ano. Em seguida, a voz do radialista trazia a explicação: o espírito solidário do Natal deve ser permanente, pois as pessoas sofrem e passam fome (material e espiritual) todos os dias. Essa forma de apresentar chamava atenção de muitos ouvintes, que consideravam inovador o fato de ouvir música natalina em outras épocas do ano. Por isso, Paiva Netto sempre se recorda desta como uma grande ação de marketing.​

“O Rio de Janeiro parava para rezar com ele”

Àquela altura ingressando na profissão, o jornalista Ricardo Viveiros rememora a força do programa na capital fluminense: “Eu era menino, trabalhei simultaneamente com Zarur em algumas emissoras no Rio de Janeiro, como a Rádio Mundial, a Vera Cruz, a Nacional, rádios pelas quais passei no início da minha carreira de repórter. Eu me lembro da figura dele diante do microfone. Recordo-me da hora da Ave, Maria!, às seis da tarde; parava o Rio de Janeiro para rezar com ele”.

Corrêa Santos
Uma ocorrência supremamente espiritual (1960) — No estúdio da antiga Rádio Mundial do Rio de Janeiro/RJ, naquele tempo Emissora da Boa Vontade, Alziro Zarur comandava os famosos programas Campanha da Boa Vontade e Jesus Está Chamando!. Foi o cenário em que Paiva Netto presenciou, muito jovem, ao lado do dr. Osmar Carvalho e Silva (1912-1975) e do “bandeirinha” Raul, integrante do Futebol da Caridade, o Futebol que Salva Vidas e Almas para Deus, uma cena de intensa emoção espiritual: o saudoso proclamador da Religião do Terceiro Milênio entra em um estado de elevação divina. A foto registra na face e no olhar de Zarur a realidade do comovente acontecimento. Indagado por um dos componentes da Academia Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, Paiva Netto afirmou: “Os três, profundamente tocados pelo fato que ocorria diante de nós, praticamente em lágrimas, sentimo-nos como se estivéssemos suspensos do chão”.

Uma semana depois de estrear o Hora da Boa Vontade, o saudoso fundador da LBV concedeu marcante entrevista ao radialista evangélico Adolfo Cruz, no famoso Cinelândia Matinal, na Rádio Nacional, também na capital fluminense. Na ocasião prognosticou a marcha do ideal pelo mundo. Demonstrando preocupação com o entendimento das criaturas, declarou: “O Brasil precisa, agora mais do que nunca, da união de todos os seus filhos”. O surgimento do programa Hora da Boa Vontade causou alvoroço nos meios radiofônicos, pois houve quem estranhasse que um homem com tamanha fama pudesse dedicar-se à Religiosidade Ecumênica e à difusão da Fraternidade.

Testemunha dos primórdios

Já naquela época, o Ideal Legionário recebia a adesão de personalidades de diferentes segmentos da sociedade, como, por exemplo, do saudoso ator Chico Anysio (1931-2012) . Em entrevista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação, o humorista relata: “Faço parte também do seletíssimo grupo de pessoas para quem Alziro Zarur (1914-1979), pela primeira vez, falou na Legião da Boa Vontade. Eu era radioator da Mayrink Veiga, já tinha saído da Guanabara. O nosso diretor no radioteatro era Zarur. Naquele dia, tínhamos ensaio de um capítulo de novela, deviam ser umas seis e meia quando ele chegou, dizendo que havia recebido uma mensagem divina. Estava emocionadíssimo. Tinha recebido um aviso, uma missão que lhe fora dada. E ninguém brincou, ninguém zombou. Todo mundo percebeu que havia uma verdade grande nele, porque era uma pessoa muito séria; era muito duro, muito firme. Ele não pôde realizar o ensaio. Urbano Lóis assumiu o lugar no dia. (...) Havia um fogo queimando dentro do Zarur. Uma luz brilhava dentro dele, alguma coisa. (...) Dali em diante, ele se transformou”.

Clayton Ferreira

O consagrado ator e humorista Chico Anysio (1931-2012).

E prosseguiu o consagrado ator: “Então, fui o primeiro a saber disso. Ele abandonou tudo. Não foi mais diretor do radioteatro. Fez um programa, chamado ‘Hora da Boa Vontade’, às cinco da tarde. (...) Criou a Legião da Boa Vontade. Era a Sopa do Zarur, a Sopa dos Pobres. Os mendigos do Rio não passaram mais fome, porque a sopa que distribuía matava a fome de todos. Faço doações para a LBV; várias vezes já as fiz. Na minha exposição, no Templo da Boa Vontade, em Brasília/DF, farei outra e continuarei ajudando, porque a LBV é da maior seriedade. Eu estou abençoado com a minha pintura aqui [no Templo da LBV]. Deus está aqui comigo! É uma coisa muito divina, demais! (...)."

Ainda na entrevista, Chico fez questão de ressaltar o trabalho do dirigente da Obra: “(...) Paiva Netto é uma pessoa importante porque seguiu à risca os preceitos de Zarur, que era um homem muito sério. E assim Paiva Netto é, sem ferir ninguém, sem contundir, sem chocar. O que a Legião da Boa Vontade cresceu com Paiva Netto é inacreditável, foi para o mundo todo! Ele foi brilhante, deu visibilidade a ela. O trabalho com as crianças, com os velhos, com tudo! Colaboro com a LBV sempre que posso, porque acho importante o trabalho que ela faz”.

Proclamação da Boa Vontade de Deus

Clayton Ferreira

O presidente-pregador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo mostra ao público o livro "Paiva Netto e a Proclamação do Novo Mandamento de Jesus — A saga heroica de Alziro Zarur (1914-1979) na Terra", primeira publicação da Academia Jesus, o Cristo Ecumênico. A tiragem inicial da obra esgotou-se no mesmo dia do evento, tamanho foi o interesse dos presentes que, com satisfação, ergueram seus exemples (Conforme registra a imagem com aspecto parcial do público). Ao lado, o Brasão da Academia Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista.

Em continuidade à inovadora proposta do programa, Paiva Netto, atento à extraordinária mensagem anunciada pelo Hora da Boa Vontade, incluiu a Proclamação da Boa Vontade de Deus no rol das Proclamações realizadas por Zarur, ato decisivo para a história da LBV, fator este que garantiu que o conceito que originou a Instituição fosse perpetuado com legítima fidelidade ao longo dos anos.

Ouvindo as gravações das primeiras pregações de Alziro Zarur no rádio, Paiva Netto percebe o extraordinário valor daquela mensagem, dirigida ao Ser Humano e seu Espírito Eterno, e assim revela a primeira (em ordem cronológica) das Proclamações trazidas pela Religião do Terceiro Milênio. Faz ainda constar nas Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, em seu primeiro volume, a publicação deste conteúdo de elevado valor espiritual.

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