História da Religião do Terceiro Milênio

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1948 — A Hora de Começar


Em 6 de janeiro de 1948, “Dia dos Reis Magos”, data de alto significado místico-religioso, Alziro Zarur (1914-1979), ao participar de uma reunião mediúnica na Federação Espírita Brasileira (FEB), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil, recebe a ordem de Jesus, na manifestação espiritual de “Il Poverello”, por meio da respeitável e saudosa médium Dona Emília Ribeiro de Mello: “Meu Irmão, São Francisco de Assis (1181-1226) esteve todo o tempo aí ao seu lado e manda dizer-lhe que é hora de começar”.

No livro Paiva Netto e a Proclamação do Novo Mandamento de Jesus — A saga heroica de Alziro Zarur (1914-1979) na Terra, páginas de 56 a 58, conta Zarur sobre a conversa que teve com a médium Dona Emília, e o que ocorreu depois:

“— Mas que combinado é esse?

— Ele disse que se tiver alguma dúvida leia o livro dele, que o senhor vai se lembrar direitinho do que combinou lá em Cima, completou Dona Emília.

Naquele tempo, eu morava com mamãe*, lá no Engenho de Dentro, de que guardo grandes recordações. Eu ia de bonde — bonde Piedade, 77, estilo Bataclan. Procurava sempre o reboque, que era mais vazio, e lá ia meditando, vendo a paisagem, e pensando na vida. Então, naquela noite, eram quase 23 horas, ia refletindo assim: Meu Deus do Céu! Não é que não tenho um livro de Francisco de Assis! Tenho três mil livros, e não tenho um de São Francisco de Assis! Como é que pode?! E fui no bonde, pensando como é que ia arranjar um livro de Francisco de Assis. (...) Pois bem, quando cheguei à minha casa, tranquei a porta da rua, naturalmente. Todos já estavam dormindo. Fui à minha biblioteca e comecei a olhar livro por livro. De repente, vejo um volume branco.

Disse então: Que livro é este? Meu Deus! Quando o puxei, estava escrito assim “I Fioretti, de São Francisco de Assis”. Mas quando abri o livro, foi o meu maior espanto [pois lá estava escrito com a minha letra]: “Alziro Zarur, 1933”. Vejam que coisa espantosa! Eu tinha comprado aquele livro, e ele ficou, sem ser lido, durante 15 anos, à espera de que eu fosse [espiritualmente] chamado. Vejam que coisa miraculosa! Como tudo já vem escrito!

Quando vi aquilo, disse: Nossa Mãe!, pois agora o livro estava esgotado. Peguei o livro e comecei a ler. Às 6 da manhã, terminei a leitura. Foram seis horas de atenção absorvente. Mas quando acabei de ler o livro do nosso Patrono, já me lembrava nitidamente da minha combinação lá em Cima. A combinação era a LBV, era a Religião do Novo Mandamento como Denominador Comum das Religiões Irmanadas.

Por isso, comecei a minha pregação exatamente com esta tese: não pode haver Paz para o mundo, se as religiões não tiverem Boa Vontade entre si próprias".

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1949 — Boa Vontade no ar


No livro Paiva Netto e a Proclamação do Novo Mandamento de Jesus — A saga heroica de Alziro Zarur (1914-1979) na Terra, p. 205, encontramos:

O Programa Hora da Boa Vontade, com o lema: “Por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz”, estreou em 4 de março de 1949 na Rádio Globo, do Rio de Janeiro, com Alziro Zarur pregando o Apocalipse de Jesus. O Programa, que visava atender às Almas sofredoras e toda sorte de desamparados materiais e espirituais, foi o primeiro do gênero no Brasil, conquistando grande audiência. Com uma palavra de carinho e alento aos carentes do corpo e da Alma, ele deu o primeiro passo para o surgimento da Legião da Boa Vontade e sua notável tarefa apostolar.

1950 — Fundação da LBV


No livro Paiva Netto e a Proclamação do Novo Mandamento de Jesus — A saga heroica de Alziro Zarur (1914-1979) na Terra, p. 206, encontramos:
"Em 1º de janeiro de 1950, foi fundada oficialmente por Alziro Zarur a Legião da Boa Vontade. Alicerçada no Amor Fraterno do Cristianismo do Cristo, iniciou seu trabalho com base no conceito vanguardeiro de Caridade Completa, suprindo as necessidades do corpo e principalmente às da Alma, consoante as Lições Divinas do Novo Mandamento de Jesus (Evangelho segundo João, 13:34 e 35; 15:12 a 17 e 9). Sob essa Lei de Amor Celeste, a Bandeira do Ecumenismo Irrestrito é erguida, pioneiramente preconizando o relacionamento inter-religioso, e mais: revolucionando a acepção de Ecumenismo no mundo."

1950 — Religiões Irmanadas


No livro Paiva Netto e a Proclamação do Novo Mandamento de Jesus — A saga heroica de Alziro Zarur (1914-1979) na Terra, nas páginas de 207 a 211, encontramos:

"Dias depois da fundação, outro gigantesco degrau foi alçado no campo da convivência inter-religiosa por meio da pioneira Cruzada de Religiões Irmanadas, cuja primeira edição ocorreu em 7 de janeiro daquele ano, no salão do Conselho da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro/ RJ, após sucessivas reuniões preparatórias realizadas no mesmo local, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1949, na sala da diretoria daquela prestigiada Associação. No encontro, falaram sete oradores dos mais diversos segmentos: Salustiano César, reverendo protestante; Teles da Cruz, católico; Murilo Botelho, esotérico; Leopoldo Machado, espírita; Eugênio Figueiredo, livre-pensador; Samuel Linderman, judeu; e Ascânio de Farias, positivista. Convocou e dirigiu a memorável sessão Alziro Zarur, fundador da Legião da Boa Vontade. A partir dali, a LBV viu o seu ideal de solidariedade, altruísmo e ecumenismo sem fronteiras conquistar corações e harmoniosamente congregar pensamentos de religiosos, filósofos, cientistas e ateus. Crescia a cada reunião no Salão da ABI o número de pessoas presentes. Herbert Moses (1884-1972), o empreendedor presidente da Associação Brasileira de Imprensa, que construiu a famosa sede da heroica Casa do Jornalista, surpreso com o sucesso daqueles encontros, declarou: “Zarur fez um verdadeiro milagre juntando tantos inimigos cordiais na LBV”.

Na época, janeiro de 1950, O Globo, do jornalista e empresário de mídia Dr. Roberto Marinho (1904-2003), publicou dois editoriais, saudando o nascimento da nova Instituição, que, naquele tempo, tinha como sede uma pequena sala num prédio da Rua do Acre, 47, no centro do Rio de Janeiro. Um dos textos, publicado em 26/1/1950, registrou:

— Há um aspecto, na recente criação da LBV, que merece ser assinalado e posto no devido relevo. Trata-se da verdadeira confraternização de todos os credos religiosos que se processou no referido movimento, destinado, sobretudo, a amparar moral e materialmente os enfermos e necessitados. (…) Não são comuns acontecimentos desta ordem nem frequentes mobilizações de tamanha envergadura moral. (…)

O saudoso jornalista Benedito Mergulhão, em A Noite, edição de 18/6/1956, recorda:

Considerando que todas as religiões desempenham um papel preponderante no aperfeiçoamento espiritual do Homem, a LBV teve a feliz iniciativa de reunir representantes de todos os credos que se professam nesta capital e, confraternizados, cada um de per si expor as bases das respectivas doutrinas. Dessa forma, a Legião da Boa Vontade levou a efeito, em outubro, novembro e dezembro de 1949, reuniões em que falaram representantes do catolicismo, protestantismo, espiritismo, budismo, maometismo, positivismo, bramanismo, judaísmo, esoterismo, umbandismo etc."

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Nota de Paiva Netto
Mamãe* — Dona Assima (pronuncia-se Ássima) Ságuia Zarur, mãe de Alziro Zarur.